A nossa aventura

Eu, tu e ela

Lembro-me do dia em que nasces-te como se fosse ontem. Do teu cheiro. Do teu toque. Lembro-me de me sentir inebriada com o amor que brotava. Não compreendia como era possível amar-te da maneira que o fazia, não sabia sequer que tal era possível, amar assim, sem medida.
Mas também me lembro do momento em que ela nasceu.
Foi na noite depois de nasceres. Ficamos só os dois. Perdidos entre tantas camas, mamãs e bebés à nossa volta, embora rodeados de caras “conhecidas”, sozinhos.
Tu choras-te e eu não soube o que fazer. Ainda não tinhas compreendido o que era todo o barulho, luzes e pessoas à tua volta. Afinal de contas, ainda nem tinhas percebido onde estavas, que tinhas saído do meu aconchego para um mundo tão frenético! Embalei-te, alimentei-te, troquei-te, amei-te e nada do que fazia parecia acalmar-te meu amor. Foi nesse exato momento que A senti pela primeira vez.
Tão avassaladora como o amor que senti por ti.
Ela, essa malvada que me assombrou e por vezes ainda me assombra, a Culpa.
Naquela noite, como em tantas outras, senti-me culpada. Culpada por não te conseguir acalmar, por não saber o que fazer, por me sentir perdida…
Ninguém nos conta mas essa malvada não nos larga! Espreita a cada espirro, a cada -ite, a cada queda ou joelho ralado, a cada choro ou mesmo por perderes o brinquedo favorito Dele!
Aos poucos tenho aprendido a viver com ela. Mas torna-se difícil quando a cada choro ouvimos “É fome, tens de dar suplemento!” ou “Estás a mima-lo demais” (como se isso fosse possível!).
Mais tarde ou mais cedo, tu também vais aprender.
Vais perceber que mesmo quando Ela grita nos teus ouvidos que estás a fazer tudo errado, o teu coração te indica o caminho certo para vocês, seja ele qual for. Vais ver que mesmo quando Ela te tenta derrubar e fazer-te questionar das tuas escolhas, o sorriso dele vai te dar alento para os momentos mais duros.

E lembra-te “A culpa não é tua” pois tu és a melhor mãe do mundo para o teu bebé!

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