A nossa aventura

Aqueles de quem ninguém fala

Hoje levantamo-nos cedo. Sentei-me com o JM a tomar o pequeno-almoço na sala, após a maminha, fruta e panquecas para ele e para a mãe uma torrada e um galão. No meio da brincadeira, carregamos no botão do comando que mudou de canal.

Congelei.

A dor invadiu todo o meu corpo. As imagens ficaram gravadas na minha cabeça, alma e coração. Tornei-me mais pequena do que um grão de areia. Os meus olhos, sem que eu desse conta, começaram a jorrar agua.

O José riu, alheio a tudo o que se estava a passar à sua volta e à informação que vinha da televisão. Peguei-o e abracei-o com força.

Não somos nós mas poderíamos ser. Tivemos sorte por nascer aqui, mas poderíamos não ter sido afortunados e ter nascido Lá, onde neste momento reina a dor, o caos, a destruição… a Morte.

Fiquei com ele no colo a agradecer por não sermos apenas mais um numero no meio de guerras de homens.

Mas eles são. E ninguém fala, ninguém os vê.

Estão a morrer dezenas todos os dias, mas mesmo assim escolhe-se ignorar, virar a cara ao invés de lutar contra esta realidade. Quando foi em Paris, Madrid, Londres, foram flores, correntes de facebook… Estamos a falar de mais de 470 mil pessoas desde 2011! Nos últimos 3 meses estamos a falar de mais de 700 mortos, entre os quais crianças! Crianças que poderiam ser o meu filho…

Por isso, ajuda a Amnistia Internacional. Basta seguires no link abaixo e colocares o teu e-mail, nome, nº de CC e data de nascimento.

https://www.amnistia.pt/peticao/fim-imediato-dos-bombardeamentos-a-ghouta-oriental/

Não custa nada e se todo o mundo se unir talvez lhes consigamos dar uma oportunidade de sobreviver.

 

Hoje vou abraça-lo na tentativa de libertar esta imagem, mas nunca esquecendo o quão afortunada sou. E tu, se estás a ler isto, também o és.

 

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